terça-feira, 2 de julho de 2013

SUA VOZ MORNA



 Ela me chega ao ouvido 
e desperta algo há séculos adormecido. 
Minhas mãos sentem desejos de segurá-la. 
Imortalizá-la no ar. 
Ela me chega e meus olhos o procuram no nada. 
Meu olfato o busca e seu cheiro não está no ar. 
Digo seu nome e o vento o carrega. 
O arrasta para os confins da lembrança. 
Meu ser implora para que chegue. 
Para que venha galopando num cavalo branco. 
Os obstáculos... cavalo e cavaleiro a saltar. 
As crinas ao vento. 
O vento... o vento. 
A voz que chega. 
Meu corpo todo a tremer. 
Estreitada em seus braços. 
Tanto prazer. 
Suas mãos deslizando pelos meus cabelos. 
Descendo pelas costas. 
Seus lábios... e a voz a repetir um nome. 
Seus beijos ardentes. 
Seu olhar. 
Uma confusão de lençóis e mãos. 
Seus beijos... seus beijos. 
E a voz entrando em mim. 
A voz a me dizer que os momentos não morrem. 
Se eternizam... 



sonia delsin 

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