terça-feira, 2 de julho de 2013

CORTINAS DE SEDA



Hoje eu as vejo desbotadas.
Tão rotas, tão rasgadas.
Elas balançavam, meu amor!
Que tempo bom aquele!
Elas já foram azuis, acredita?
Ah! Você se lembra?
Pensei que não se lembrasse mais...
As janelas dando para o sul colhiam o vento
e eu me agarrava
ao seu corpo.
Sentia tanto frio naquelas noites.
Muito mais ainda nas noites que você se ausentava.
Nossa cama era tão acolhedora.
Nosso quarto um ninho
e tão bem feitinho.
Quantas vezes eu vi você entrar por aquela porta
trazendo no rosto um sorriso.
Vinha depositar em meus lábios um gostoso beijo.
E eu o olhava encantada.
Era tanta paixão.
Tanto desejo.
Meu amor! Passou o tempo.
Eu me pergunto hoje em dia.
Onde foram parar aqueles dois?
Em que canto do mundo se esconderam?
Eu os procurei pela vida afora
e constatei
que eles tinham ido embora.

 sonia delsin 

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