terça-feira, 2 de julho de 2013

CONVITE



Ela acordou na madrugada e o procurou.
Procurou umas mãos que não estavam ali.
Havia no ar um perfume suave.
Olhou a cômoda e a na fotografia um homem sorria.
Aquele sorriso que ela bebia, que a embobecia.
Acariciou o travesseiro e tentou aspirar um cheiro.
Havia ainda nele um pouco de seu homem.
As cobertas macias lhe recordaram noites de amor.
As chinelas ao lado da cama esperavam
que ela se levantasse
e pela casa andasse.
A cama a incomodava. Recordava.
Olhava o espelho e pensava que a vida é mesmo engraçada.
Tanta coisa ofertada, tanta coisa roubada.
Tanta ilusão. Tanto não.
Não, ela não iria cair mais nessa de solidão.
Estendeu a mão e discou um número.
Ele estava só esperando que ela ligasse.
É claro que voltaria!
É claro que a queria!
Vem, meu amor!
Ela dizia e ele ouvia.
Ele só estava esperando que ela ligasse.
Que ela o convidasse.

sonia delsin 

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