terça-feira, 9 de julho de 2013

DESPENCANDO




despencam de meus olhos
lágrimas
despencam
despencam árvores daqueles morros
são como senhoras velhas
cansadas
alquebradas
ao peso dos anos
ao peso dos planos
que não deram certo

sonia delsin

DO QUE SE GUARDA




do passado não se guarda nada
além das lembranças
...
guardo as tranças
as crianças
que fomos
quantas ilusões!
é de tocar os corações
recordo natais
tantas coisas mais
fui uma menina diferente
poeta
sempre construindo versos
sempre vivendo os inversos

sonia delsin 

LUGAR DE PAZ





havia tanta paz naquele lugar
havia sim
era um lugar tão sossegado
eu o guardo n'alma
é relíquia do passado

sonia delsin

O MEDO





foi por medo que você se afastou?
foi por medo que não me procurou?
você sonhou...
sei que sonhou
mas deixou-se levar pelo que conseguiu lhe amedrontar
um monstro veio o sonho lhe roubar

sonia delsin

SE FALTOU AMOR




Pai, se faltou amor, me perdoa
Pai, tantas vezes eu chorei
era o ego falando alto
precisei silenciar
para lhe escutar

sonia delsin

SOLIDÃO




às vezes eu me deito
fico olhando o céu
observando os pássaros
observando o vazio que me ficou depois que você partiu

sonia delsin 

PEDAÇOS DE MIM






os galhos parecem alcançar o céu
que céu?
que galhos?
estou em frangalhos
a recordar
dói lembrar

sonia delsin